domingo, 6 de abril de 2014

Um lugarzinho só seu lá no céu...


É difícil pra dizer o quanto você é importante na minha vida. O quanto você mudou a minha história, e o quanto você faz parte de mim.
Quando você chegou, eu não queria mais gostar de ninguém. Estava desiludida por tudo que já tinha passado, sem perspectiva de que podia ser feliz. Achando que amar não era pra mim.
E você veio chegando... chegando... com seu jeito doce... quieto... seu carinho... relevou comentários maldosos... situações estranhas... tudo pra ficar ao meu lado... e foi me conquistando aos poucos... mostrando que eu podia confiar em você... que dava sim pra tentar ser feliz de novo...
E conseguiu! Sério... conseguiu mesmo! Foram os dois anos mais felizes da minha vida! Com exceção de algumas discussões normais de qualquer casal, foram os melhores dois anos que eu poderia ter. Nossas conversas (eu falava e você ouvia), quantos ônibus e quantas lotações deixamos ir embora porque não queríamos ir pra casa porque  o tempo que ficávamos juntos era especial, só nosso. Como eu esperava o fim de semana chegar porque sabia que com você ao meu lado eu teria um pouco de paz e que tudo que eu tinha passado durante a semana iria embora e daria lugar para uma semana novinha em folha. A amizade, o carinho, o respeito, o desejo. Tudo perfeito, lindo, como eu sempre sonhei que seria um relacionamento, eu me pegava várias vezes rindo sozinha no ônibus, na rua, pensando no nosso beijo, no seu toque, suspirando com cada coisa que lembrava e desejando te ver de novo... e de novo... e de novo. Seu sorriso era encantador... e a maneira como prestava atenção no que eu dizia também. Eu sonhava em passar o resto da minha vida ao seu lado, em poder ter pra sempre essa companhia que eu achava tão boa pra mim.
Mas... como nem tudo é perfeito... e como sempre tem algo pra estragar...
E com a morte da minha mãe eu passei por uma coisa nova, um sentimento novo, que eu achava que iria demorar muito pra passar. O sentimento de impotência diante da morte, de ter que ficar sem fazer nada e vendo minha mãe, minha segurança, minha ajuda, ir embora assim de repente, sem aviso prévio. Era como se meu mundo tivesse desabado, de um jeito trágico, soterrando tudo que estivesse em volta, machucando o mais profundo que pudesse machucar, rasgando o coração, dilacerando novamente minha perspectiva de futuro.
Só que da mesma maneira que tudo desabou, tudo se ergueu rápido demais de novo. Fomos morar juntos, tinha meu filho pra cuidar, precisava continuar trabalhando, tinha que pagar as contas, cuidar da casa, de você, da família que mudou da noite pro dia. Tudo se erguendo rápido, mudando rápido, consertando rápido, mas sem alicerce nenhum. Bonito por fora, mas oco. Juro que eu achei que fosse dar certo, achei mesmo. Mas como qualquer coisa frágil e sem preparação nenhuma (tanto minha como sua) veio a primeira tempestade e (shhhhhhhhhhh) derrubou tudo de novo. Fui... fomos... novamente cobertos... soterrados... eu surtei... não conseguia mais achar meu chão, não conseguia me apoiar em você... não tinha onde me agarrar... fui descendo o mais profundo que alguém pode descer. Não tinha mais forças pra lutar... fiquei louca... doente... ausente... reclamava de tudo... tinha ódio do mundo...  coloquei um sentimento de raiva e ódio dentro de mim e nutria esse sentimento a cada dia.. e culpei tudo e todos por isso... o ar que eu respirava já era irritante o suficiente, o simples fato de ter que acordar todos os dias já me causava ódio. Eu realmente não tive a capacidade de lutar com tudo isso. Estava perdida, sem direção, e achava que estava certa (que todos estavam contra mim) e que quem quisesse que me aguentasse daquele jeito.
E por incrível que pareça você aguentou!!! E aguentou mais uma vez... e mais uma... e mais uma... e continuou aguentando por tanto tempo que é até difícil de acreditar.
As brigas foram muitas.. as batalhas... as guerras de todos os dias... e os mortos e feridos éramos nós mesmos... mutilados dia após dia... a cada golpe desferido sem o menor receio do que estávamos machucando..
E mais uma vez... você aguentou... nós aguentamos...
Sei que nunca vou saber a dimensão do estrago causado... e também nunca vou saber o que está sendo consertado... o que vai melhorar... e o que necrosou de vez..
Nunca vou saber...
Mas sei que de alguma maneira estamos vivos... e... juntos... depois de tudo... de toda a humilhação... de todo sofrimento... de cada tortura e cicatriz que fizemos em nossos corações... continuamos juntos...
Hoje estamos casados... e vivendo nossas vidas guiados de algum jeito pela unção de Deus... esse mesmo Deus que nos manteve juntos até agora... mesmo com toda maldade que ronda a vida da gente...
Se tudo foi perdoado? Se o sofrimento vai ser esquecido? Outras perguntas que talvez nunca vamos saber as respostas...
Nossa família esta mudando todos os dias... encontrando devagarinho a paz que tanto procuramos... buscando novamente a felicidade que sempre nos pareceu tão difícil de alcançar...
E nossa família também vai crescer um dia... e quando Deus mandar nosso filho... vou carregar em mim um fruto dessa vitória que conquistamos da maneira mais difícil que se possa conquistar...
Carregar um filho seu... um filho nosso... que vai trazer alegrias... esperança... maturidade... e uma nova maneira de olhar a vida... olhar pelo lado bom... de quem persistiu para chegar até aqui e sabe que não foi em vão...

São cinco anos Vida... cinco anos... tempo demais pra deixar passar... tempo demais para deixar que lembranças ruins atrapalhem...
Cinco anos... tempo mais do que suficiente para eu ter a certeza do quanto te amo... e do quanto quero que tudo isso valha a pena... e que esse amor... que ficou soterrado por vários motivos... renasça... e cresça... e possa mostrar ao filho que ainda vamos ter... como é bom ser amado... sem mágoas... e dar pra ele o amor verdadeiro... aquele que quase deixamos escapar... por não sabermos como lidar com ele...
O amor de uma família de verdade... inteira... e sem dores!!!!!!

Amo você... hoje e sempre!!!!